Afinal não foi ontem, mas agorinha mesmo. Ainda quentinho: "The Countess".
Já sabia de alguns pormenores da história, mas tinha ideia de que ela tinha aprendido as técnicas de tortura com o marido. Pelo menos tinha sido essa a informação que me lembro de ter recolhido na altura que soube sobre Erzbeth.
Pelo que li dos comentários da AG e da Erzbeth Bathory e lembrando daquele pequeno ditado "quem conta um conto, acrescenta um ponto" parece-me que o romance foi apenas o ponto acrescentado pelo realizador à história, tal como em outros filmes (lembrei-me agora do romance do Titanic só pra fazer um paralelismo).
É muito interessante a história. Quando comecei a ver o filme, as imagens dela enquanto criança, associei toda a envolvência fria e descuidada emocionalmente às posteriores torturas, associei como se fosse um factor que leva a um fim, mas neste filme não é bem por aí que o realizador lhe pega. Vai buscar o pormenor do romance como sendo a "desculpa" para querer a eterna juventude. Talvez para ela, seria recuperar todo o tempo que perdeu sem amar, voltar atrás e recupera-lo, não só apenas para ser jovem, mas pelas "oportunidades" que isso lhe poderia trazer pela ideia de ter recuperado os anos que perdeu. Pois sendo ela mais velha, teria menos tempo de vida com ele, iria perde-lo rapidamente, e da forma como vi o filme, parece-me mais que a busca dela seria mais para "voltar atrás" no tempo, preservar-se com o sangue como se parasse no tempo não envelhecendo. Mas aquilo foi apenas uma imagem mental dela, uma ilusão criada na sua cabeça e que levou uma mulher tão poderosa a um fim tão humilhante.
A mente dela é extremamente bela e interessante (sempre achei a mente dos psicopatas, serial killers e criminosos bastante complexa e essa complexidade atrai-me por ser tão interessante). Guardo o seu retrato como uma mulher poderosa, destemida, decidida e focalizada, mas ao mesmo tempo frágil e com um passado que não será propriamente a melhor conjugação de factores para criar uma mente saudável.
Adoro filmes "medievais", não só pelo luxo, porque associado a ele está toda a desgraça e pobreza extrema, mas pelos vestidos que me atraem imenso, as jóias lindíssimas, os castelos e toda a natureza que ainda tinha o seu esplendor que hoje com todas as construções já não tem. O clima de sedução, as danças, a troca de olhares, de toques, torna o filme mais místico, mais envolvente. Os casamentos prometidos e os amores afastados. A renuncia ao sentimento mais intenso e mais arrebatador de sempre, renuncia essa que leva sempre à desgraça.
Os filmes serão sempre mais incompletos do que os livros, e mesmo assim fica sempre algo que dizer.
Nos livros criamos as nossas próprias imagens, sentimos intensamente cada palavra e cada descrição. Não dispenso um bom filme com uma boa história e um bom ambiente, mas dispenso ainda menos um bom livro com uma óptima história, maravilhosos pormenores e grande carga sentimental.
Acho que já me alonguei demais e fico-me por aqui.
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Yes, I'm falling... how much longer till I hit the ground?
I can't tell you why I'm breaking down.
Do you wonder why I prefer to be alone?
Have I really lost control?